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A inocência do corrupto

Por Diná Oliveira - Jornal Ceilandense
 

No Brasil, temos uma herança política suja. São pouquísimos os que lutam por uma política realmente voltada para o crescimento ordenado e honesto e para o ser humano, passado presente e futuro da humanidade. Quando se pensa política, pensa-se TROCA. E sinônimo de TROCA em política, é CORRUPÇÃO. Quando o "pobre candidato" pensa em ser o representante do povo, imediatamente lhe vem à cabeça: "quanto tenho para gastar ou quem pode bancar minha candidatura"? Com o elitor não é diferente, quando se diz: "fulano é candidato", a pergunta é: "com que dinheiro"? O que teria que ser analisado? O passado do candidato, seu caráter, serviços prestados, comprometimento com o país, estado ou cidade e, principalmente, sua preocupação com o ser humano, maior patrimônio de uma nação. Se analisarmos profundamente a política do Distrito Federal teremos: mendigos jogados em todos os cantos, crianças, jovens e adolescentes consumindo drogas em plena luz do dia, na frente de todos, traficantes comercializando seu produto na frente da população e imperando a falta de competência nos órgãos públicos, desde secretários até faxineiros, porquê? Porque não é uma política feita em torno do mais capacitado. É uma política praticada pela TROCA! O político é eleito pelo eleitor "o que ele pode fazer por mim" (corruptor), quando chega lá esse mesmo político (corrompido),  não tem compromisso com ninguém e "vende" o mandato "outorgado" legalmente pelo eleitor (corruptor) em busca de maior "vantagem"   pois ele precisa de "recursos" para atender seu eleitor. É uma bola de neve. Quanto mais o político rouba, menos ele consegue atender às exigências do seu eleitorado. Por outro lado sempre teremos um governo medíocre, que não consegur atender aos anseios e necessidades da população, porque saúde, educação, segurança e competência não "dá voto" e TROCA produz pessoas acomodadas, incapazes e inoperante. Temos no Distrito Federal órgãos abarrotados de pessoas sem estudo, sem capacidade e preocupadas apenas em afastar qualquer um que possa colocar em risco sua posição de "protegido". Por outro lado temos políticos com as mesmas características, sem estudo, sem competência, sem consciência, sem compromisso e preocupados em estar sempre dando mais e mais para seu "protetor", o eleitor corruptor. Analisemos: nas eleições de 2006 tínhamos dois candidatos ao governo do Distrito Federal. De um lado uma mulher de  conduta ilibada, sem envolvimento em nenhum escândalo, com um passado de trabalho e dignidade, ex-constituinte, administradora comprovadamente competente e voltada para uma preocupação real com o social  e o ser humano. Do outro, um homem envolvido com escândalos, escorraçado do PSDB pela violação do painel do senado, comprovadamente comprometido com o poder político do dinheiro e da riqueza, sem nenhum compromisso com o ser humano e fazendo promessas mirabolantes que à menor análise era fácil perceber que não poderiam ser cumpridas. O eleitor, o maior corruptor do planeta, ficou com quem? Fácil perceber pelos resultados. Os fatos se repetindo da mesma forma: um governador acusado de corrupção, escorraçado do DEMOCRATAS, (só mudou o partido) e patente de cassação. Os "Arrudas", que estão espalhados pelo Brasil à fora, não são tão culpados assim. Não existem corruptos sem corruptores. É uma faca de dois gumes. Quem coloca o político no poder são os eleitores. Por que será que o nosso país está cheios de políticos ladrões? Cada um tem o governo que merece e a maioria coloca lá representantes fiéis ao seu próprio caráter. É um espelho! O político CORRUPTO pode bater no peito e dizer: "tenho um mandato legal, outorgado pelo povo e vou fazer o possível para representar bem o 'MEU POVO', (leia-se: "estou representando, muito bem, um povo corrupto que me colocou aqui".).
 

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