MP denuncia Marcos Valério e 34 pessoas por participação em quadrilha
Segundo os promotores, diversas quadrilhas atuavam no esquema de criação de matrículas falsas de imóveis que, às vezes, nem existiam
O Ministério Público do Estado da Bahia denunciou, nesta quinta-feira (19), empresário Marcos Valério Fernandes e mais 34 pessoas por crimes como formação de quadrilha, falsidade ideológica e uso de documentos falsos.
Além de Marcos Valério, estão sendo acusados pelos promotores, os sócios do empresário Ramon Hollerbach e Francisco Marcos Castilho Santos, empresários de Minas Gerais, da Bahia e de São Paulo, agropecuaristas, agricultores, lavradores, advogados e oficiais de cartório.
Segundo os promotores, diversas quadrilhas atuavam no esquema de criação de matrículas falsas de imóveis que, às vezes, nem existiam. Essas quadrilhas foram desarticuladas no início do último mês de dezembro durante a ‘Operação Terra do Nunca’, depois de já terem realizado vários falsificações de documentos nos cartórios de Barreiras e São Desidério, oeste baiano.
No esquema de falsificação, a empresa de Marcos Valério e Ramon Hollebarch conseguiu criar, a partir de um terreno de 360m² localizado em Barreiras, “cinco enormes propriedades rurais” em São Desidério. Representando a DNA Propaganda Ltda., Marcos Valério, é acusado de integrar duas quadrilhas.
As quadrilhas vendiam as escrituras de imóveis e propriedades rurais inexistentes ou com informações falsas como se fossem verdadeiras. Essas propriedades pertendiam muitas vezes, a analfabetos ou lavradores, que funcionavam como "laranjas" para as quadrilhas.
Entre os casos de fraude, uma quadrilha formada por um agricultor, um empresário e um corretor de imóveis entrou com uma ação na Justiça para assegurar a posse sobre imóvel rural que não lhes pertencia. De acordo com os promotores de Justiça, os três, com o aval da oficial Ana Elizabete, transformaram uma área de 332m² localizada em Barreiras numa fazenda de 2mil hectares e requereram sobre ela o direito de propriedade.
Ainda segundo os autores da denúncia, matrículas foram criadas no cartório de São Desidério dando vida a enormes propriedades rurais. Uma delas chegou a ter como proprietária e suposta “latifundiária” uma senhora analfabeta que nunca realizou o negócio.
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