Segundo estudo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), 56% dos 2.216 fumantes entrevistados no País acreditam que as fotos de advertência são capazes de fazer uma pessoa deixar o cigarro. Outro levantamento, feito pelo The International Tobacco Control Policy Evaluation Project (ITC), realizado em 21 países, indica que 39% dos fumantes disseram que as imagens nas embalagens impediram que eles pegassem um cigarro quando estavam prestes a fumar. Para quem fuma um maço por dia, as advertências podem ser vistas em torno de 7.000 vezes ao ano.

O Brasil foi o segundo país a adotar as imagens de advertência nos maços do cigarro. O primeiro foi o Canadá. As fotografias utilizadas nas embalagens brasileiras são referência mundial e podem ser utilizadas por qualquer país que queira fazer o teste de impacto, como aconteceu com a Tailândia e a Austrália. Após um ano de testes, os dois países pediram autorização ao governo brasileiro para utilizar as imagens de advertência sobre os males do fumo de forma definitiva.

A chefe de Divisão de Controle do Tabagismo do Inca, Tania Cavalcante, explica que esses países vão usar as fotos da mesma forma que o Brasil utiliza nos produtos de tabaco. "O objetivo é passar para a população informações sobre a real dimensão de risco do tabagismo", disse. "Um fumante, a cada tragada, inala 4.700 substâncias que, em grande número, são tóxicas e podem causar câncer. Essas pessoas precisam ser informadas sobre esse risco", salienta Tania.

Algumas das imagens usadas no verso dos maços de cigarros | Foto: Divulgação
Algumas das imagens usadas no verso dos maços de cigarros | Foto: Divulgação

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em setembro do ano passado, revela que em dois anos aumentou de 16 para 19 o número de países com leis que obrigam a inserção de avisos de advertência sobre os males do fumo nas embalagens de cigarro. Com esse aumento, mais de 1 bilhão de pessoas passaram a ter acesso a esse tipo de alerta, contra 547 milhões há dois anos.

Apesar da adesão de mais nações, a OMS cobra dos países a adoção de propagandas e alertas para estimular mais pessoas a parar de fumar e a adesão à convenção mundial de controle do tabaco, em vigor desde 2005. “Não podemos estar satisfeitos pelo fato de que a maioria dos países não está fazendo nada ou tem ações insuficientes. Queremos que todos os países sigam as melhores práticas para reduzir o consumo de tabaco", disse o responsável pelas área de doenças não transmissíveis e saúde mental da OMS, Ala Alwan.

O Brasil, através do Inca, também é centro colaborador da OMS para o controle do tabaco em nações de língua portuguesa e da América Latina. O trabalho brasileiro vem sendo usado como modelo para as campanhas antifumo, sendo uma espécie de piloto para a capacitação de outros países em desenvolvimento. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de fumantes é alto em lugares onde a renda e o nível de escolaridade são baixos. Os países em desenvolvimento chegam a concentrar 80% do consumo mundial de cigarros.

Segundo a organização, 27 países já aumentaram os impostos sobre o tabaco, o que elevou em 75% o preço dos produtos. A OMS estima que quase 6 milhões de pessoas devem morrem este ano por causa do cigarro, sendo 600 mil fumantes passivos. Até 2030, o número deve subir para 8 milhões de pessoas.

Consumo em queda no Brasil

O consumo oficial aparente de cigarros per capita reduziu em 65% entre 1980 e 2010. Segundo estudo do Inca, a tendência de queda iniciou no final da década de 90. Em 2010, o Brasil registrou o menor consumo de cigarros per capita (682 unidades) de todo o período.

A frequência de fumantes no país é monitorada por duas ferramentas do Ministério da Saúde: o inquérito Vigitel, realizado anualmente desde 2006 na população maior de 18 anos, que apontou 15% de fumantes em 2010, e a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), que investiga os indicadores entre os adolescentes. De acordo com a última amostragem da Pense, 6,3% dos estudantes do 9º ano (13 a 15 anos de idade) relataram ter fumado nos 30 dias anteriores à entrevista. “A prevenção da iniciação ao tabagismo entre jovens é, hoje, um dos maiores desafios nacionais a ser enfrentados no âmbito da Política Nacional de Controle do Tabaco”, alerta Tania Cavalcante.

O controle do tabagismo no Brasil faz parte do plano de Ações Estratégicas para Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) que prevê reduzir, nos próximos dez anos, em 2% ao ano as mortes prematuras por DCNT. Em relação ao tabagismo, a meta é reduzir a frequência de fumantes em diferentes grupos, incluindo adolescentes e adultos. “A expectativa é chegar a 2022 tendo reduzido a frequência de fumantes de 15% para 9% na população adulta”, afirma a coordenadora de DCNT no Ministério da Saúde, Deborah Malta.